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Tríade Neurofuncional da aprendizagem

Atualizado: 30 de jul. de 2022

“UMA DAS CHAVES DO SUCESSO ESCOLAR E DO SUCESSO NA VIDA”.





Por muito tempo, em minha trajetória profissional, buscava uma resposta sobre o bom desenvolvimento dos meus pequenos aprendentes, seja na clínica ou escola. Quando os pais me perguntavam como era possível evoluírem tão rapidamente, apenas respondia que era a estimulação que recebiam, mas eu voltava para casa reflexiva e seguia com minhas pesquisas. Queria uma resposta científica para a superação das dificuldades e avanços na aprendizagem.


Até que encontrei um artigo especial da Revista Psicopedagogia, escrito por Fonseca no ano de 2014, com o título “Papel das funções cognitivas, conativas e executivas na aprendizagem: uma abordagem Neuropsicopedagógica”.


Após ler, reler e estudar, pensei: é isso! Cada página que eu estudava, uma luz se acendia em conexão com os avanços dos meus pequenos. Lembro- me que fiquei tão eufórica que nem conseguia pegar no sono aquela noite.


Logo pela manhã, o planejamento dos atendimentos da semana estava mais respaldado cientificamente e ainda mais elaborado e direcionado para o melhor desempenho dos meus aprendentes. Quero compartilhar, com você, sobre essa tríade neurofuncional que ampliou minha visão e deu um novo direcionamento para minha prática, tanto na escola quanto na clínica e espero que seja um direcionamento para a sua prática diária, não apenas quanto ao sucesso da vida escolar de seu aluno, filho ou paciente, mas na vida, como um ser em constante transformação.


Segundo Fonseca (2014) as funções cognitivas, conativas e executivas são indissociáveis e permitem a sustentação do processo da aprendizagem.


As funções cognitivas que mais ouvimos falar nos estudos acadêmicos são: atenção, memória, sequência, linguagem e praxia.


Fonseca (2018, p. 316-317) ainda cita outra tríade de funções e subfunções cognitivas:


• Funções de input, de recepção ou de captação: recebimento,

sistematização, precisão e perfeição na apreensão de dados intrínsecos e

extrínsecos;

• Funções de integração, retenção e planificação: seleção de dados

relevantes, minimização e eliminação de dados irrelevantes;

• Funções de output, de execução ou de expressão: regulação, inibição,

iniciação, persistência, verificação, conclusão e precisão de respostas

adaptativas, avaliação e retroação das soluções criadas a partir dos dados que

foram recebidos, retidos ou eliminados, caso não tenham sido relevantes.


Para o autor, estas três funções são os primeiros passos para uma avaliação mais segura e o segundo passo é fazer a intervenção, levando em conta a particularidade de cada aprendente em sua maneira de aprender, não nos esquecendo das funções que igualmente fazem parte deste processo, que são as funções conativas e executivas, completando assim, a tríade neurofuncional.


Sem funções cognitivas treinadas, otimizadas e aperfeiçoadas, os alunos vão encarar as tarefas de aprendizagem com mais vulnerabilidade e desmotivação ao longo da sua escolaridade. Por paralelismo, os adultos vão fazer face às tarefas laborais também com menos competitividade, com menos precisão cognitiva e investimento motivacional ou conativo (FONSECA, 2018, p. 75).


Como bem nos assegura Fonseca (2014), pode-se dizer que aprender a aprender é treinar, praticar e aperfeiçoar as funções cognitivas, conativas e executivas de maneira integrada. Não é exagero afirmar que estas funções são pouco estimuladas nas escolas. O esforço diário dos aprendentes em sala de aula para alcançarem um aproveitamento dos conteúdos abordados, torna- se exaustivo e desanimador, não alcançando o sucesso na aprendizagem, causando frustração. A frustração faz parte do processo. É preciso saber lidar com o fracasso. Mas o tempo todo, no processo de aprendizagem é prejudicial.


Aprender através de treinos é possibilitar ao aprendente oportunidades de vivenciar momentos de aprendizagem significativa, na prática. É aprender fazendo. É “colocar a mão na massa” e contemplar a sua própria produção, elevando a autoestima e autoconfiança.


Quanto às funções conativas, Fonseca (2014) ressalta que estão ligadas à motivação, personalidade, às emoções e ao temperamento do aprendente e que cientificamente agem no sistema límbico, o qual ele chama de córtex afetivo.


Na visão do autor, raramente a aprendizagem ocorre na fase em que o aprendente passa por algum tipo de problema emocional ou autoestima negativa, pois o seu estado afetivo ou conativo não se encontra em equilíbrio.


Uma vez que essas significações emocionais conjugam atitudes que cuidam da aprendizagem, trazendo bons resultados, em contrapartida uma instabilidade no sistema límbico pode dificultar que as habilidades conativas entrem em ação, explicando assim, a desmotivação do aprendente.


Fonseca (2018, p. 323) afirma que a conação coloca em jogo, em termos disposicionais, intencionais e tendenciais, três componentes de otimização funcional:


- De valor (porque faço a tarefa);

- De expectativa (que faço com a tarefa);

- De afetividade (como me sinto na tarefa).


Ou seja, quando o aprendente compreende o motivo pelo qual realiza a tarefa, cria-se uma expectativa ao realizá-la e como resultado um sentimento de realização, alcançando assim, o equilíbrio e gerando autoconfiança.


Na minha trajetória como professora sempre tive uma grande preocupação com as funções ou disfunções emocionais de meus pequenos aprendentes.


Passei a utilizar o termo “funções conativas” em vez de emocionais, há uns quatro anos, a partir dos estudos sobre a tríade neurofuncional de Fonseca.


Hoje tenho uma compreensão maior da necessidade em, primeiramente, saber se os meus pequenos aprendentes estão bem ou não, emocionalmente, na hora da execução de alguma atividade e até mesmo nos momentos mais lúdicos. Caso suspeite de algum bloqueio emocional, encaminho rapidamente para uma avaliação psicológica, para um acompanhamento com o profissional dessa área.


De acordo com Fonseca (2014) as funções conativas positivas nutrem algumas necessidades para o sucesso na aprendizagem, como: interesse, desejo, esforço, entusiasmo, prazer, a motivação, curiosidade, dentre outras.


Em compensação, quando há uma disfunção ou dificuldade de aprendizagem, as funções conativas podem produzir desequilíbrios funcionais quer sejam emocionais, cognitivos ou executivos, gerando sentimentos opostos de incompetência, visto que a tríade neurofuncional é indissociável.


Compreender como a criança está emocionalmente é concludente para a estimulação da aprendizagem, visto que, se ela não estiver com as emoções em equilíbrio, o seu desempenho estará comprometido.


Em traços simples, as funções conativas são a punção ou impulsão energética das funções cognitivas, e porque estão adstritas à performance e ao desempenho, elas cooperam com as funções executivas na otimização comportamental e na aprendizibilidade permanente (FONSECA, 2014, p. 244).


Além das funções cognitivas e conativas que já foram mencionadas, uma aprendizagem de sucesso implica também outras competências e habilidades, que são as funções executivas.


Na visão do autor, as funções executivas são comandadas pelo que ele mesmo chama de grande maestro da orquestra da aprendizagem, que é o córtex pré-frontal, onde essas funções coordenam e integram a tríade neurofuncional da aprendizagem, interligadas com as funções conativas e cognitivas.


Parafreaseando o autor:


Na fascinante orquestra da aprendizagem, se o grande maestro, Córtex Pré-Frontal, perceber que os componentes da conação e cognição não estão prontos para tocarem os seus “instrumentos”, o mesmo não iniciará a execução na função da regência com maestria.

Dentro das funções executivas, Fonseca (2014) configura um modelo de “roda da sorte” para destacar algumas funções executivas, como: atenção, percepção, memória de trabalho, controle, ideação, planificação e antecipação, flexibilização, metacognição, execução e ressalta a importância em treinar essas funções juntamente com as conativas e cognitivas.


Fonseca (2014, p. 241) afirma que:


O treino das funções cognitivas, conativas e executivas, é, quanto a nós, uma das chaves do sucesso escolar e sucesso na vida, quanto mais precocemente for implementado, mais facilidade tende a emergir nas aprendizagens subsequentes.


Para finalizar este capítulo, quanto a minha prática, digo que a implementação dessa chave da tríade neurofuncional de Fonseca foi a “ferramenta” que utilizei para entender tanto o sucesso, quanto insucesso dos meus aprendentes, pois a partir da compreensão das funções conativas, em especial, que é conhecer como meu aprendente se sente ao realizar ou não uma atividade, em conexão com as funções cognitivas e executivas, posso elaborar atividades com estratégias metacognitivas para a superação das dificuldades e participar mais intensamente do processo de ensino-aprendizagem através da mediatização entre mim e o pequeno aprendiz, para que ele tenha liberdade de pensar mais antes de responder.


Neste contexto, fica claro que o meu maior objetivo quanto à minha prática, seja no âmbito escolar ou clínico, é entender as emoções dos meus pequenos, para que a tríade neurofuncional entre em ação, gerando o bom desenvolvimento na neuroaprendizagem.


(Extraído do livro Guarda-chuva de Ideias, da autora Ester Assis, com prefácio de Vitor da Fonseca).


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