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Os treze motivos: Por que escolher alimentos, em especial, frutas, verduras e legumes para o método

Atualizado: 26 de out. de 2022

Tenho pelo menos treze “segredos” ou motivos que fundamentam minha escolha para te contar:


1º Oportuniza a reflexão sobre a diversidade. Somos diferentes seja quanto ao corpo físico, ao comportamento, e, no caso específico deste livro, ao aprender. Inclusive, tenho colocado em prática a substituição do termo “dificuldade” para diferença de aprendizagem. Afinal, o que queremos ressaltar? Na minha visão, são as potencialidades do aprendente que advêm da maneira diferente que cada “cérebro” aprende. Tão logo, não evidenciamos o que é difícil, e sim, o que é diferente na arte do aprender a aprender.





2º Enxergo a inclusão nos alimentos. Uma sopa é uma junção de alimentos diferentes na mesma panela. Um simples prato de comida, uma salada, ou seja, cada ingrediente acrescenta o seu sabor único, mesmo que seja para realçar, no caso do umami. Assim somos nós: únicos, indispensáveis na união de saberes e participantes na construção do conhecimento mútuo. O alimento principal de uma inclusão real e ativa na aprendizagem é a aceitação do prato especial, que, todos os dias, pode ser reformulado, transformado, integrado e acessível.


3º A estimulação da estereognosia ou “gnosia tátil”, que é o reconhecimento de algum objeto, sem utilizar a visão, e, por meio do tato, analisa textura, forma, tamanho, peso, temperatura, dentre outras possibilidades de percepção. Embora considere fundamental a adaptação de recursos para os aprendentes, não consigo deixar de pensar e ressaltar a utilização dos alimentos. Além das formas e texturas, são reais, naturais, tridimensionais, ou seja, têm altura, profundidade e largura. Ao utilizamos um abacaxi para alfabetização em uma turma, que tenha uma criança cega, por exemplo, ao fazer a audiodescrição, ela tem a possibilidade de tocar e sentir o que todas as outras crianças tocam e sentem: tamanho, forma, textura, temperatura e além de tudo, sabor. Todos participam, inclusive as crianças enxergantes podem utilizar vendas nos olhos para experienciarem esse momento.


4º A alimentação tem alimentos que são ricos em nutrientes e são essenciais para uma boa saúde, imprescindível para uma aprendizagem significativa. O Ministério da Saúde reformulou o Guia Alimentar na segunda edição, em 2014, a fim conscientizar e recomendar a população brasileira para uma alimentação adequada e saudável para crianças, principalmente acima de dois anos.


5º Possibilita a redução de uma possível seletividade alimentar. Quando há rejeição de alguns alimentos, paralelamente privamos o nosso organismo de receber nutrientes essenciais. Muitas crianças, até mesmo dentro de alguns transtornos, como Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE), não apenas em relação à aversão aos sabores, como também às texturas, passam por esse processo. Ao proporcionar momentos de experimentação, em aula, com outros amigos de turma, a criança tende a vencer algumas barreiras e restrições, não descartando, claro, e acima de tudo, o acompanhamento de profissionais da área, em forma de equipe multidisciplinar.


6º Alguns alimentos, ricos em nutrientes, são capazes de aumentar, em longo prazo, a produção de neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurônios e que causam sensações de bem-estar. A colina, por exemplo, é a precursora da acetilcolina, neurotransmissor que estimula a memória e, um dos principais alimentos ricos em colina, é o ovo (principalmente a gema).


7º A interconexão impressionante do cérebro com o intestino é um dos maiores segredos (motivos) que me levou a fundamentar o Alfalimentar, meu método de alfabetização multissensorial baseado na alimentação saudável. A serotonina, por exemplo, que é o neurotransmissor do humor, 90% são encontradas no intestino, e não no cérebro.


8º São pelo menos sete sentidos envolvidos na alfabetização multissensorial. Na maioria das vezes ouvimos falar mais sobre os cinco sentidos. A alfabetização tradicional envolve apenas dois: auditivo e visual. A multissensorial, no mínimo, sete: auditivo, visual, olfativo, gustativo, tátil, proprioceptivo e vestibular.


9º Estimula a consciência fonológica, um conjunto de habilidades, cujo conceito é a capacidade para a manipulação e segmentação de palavras e sons, que envolve: consciência fonêmica, consciência da palavra, da sílaba, além da rima e aliteração. Quando a criança adquire essas habilidades, a chance de ser alfabetizada aumenta, mas não podemos esquecer que a consciência fonológica não é o único preditor relevante na alfabetização. Quando utilizamos os alimentos, podemos potencializar a aprendizagem, por exemplo, separando-os por partes que correspondam a segmentação silábica. Se temos um “a-ba-ca-te”, a criança pode receber um pedaço e cortá-lo em quatro partes para que, de maneira concreta, desenvolva a consciência da sílaba.


10º Desenvolve a grafomotricidade, que são os movimentos neuromotores que possibilitam a produção dos registros gráficos por meio da praxia fina, e, os alimentos, podem servir como base para estimular essa apropriação do traçado, que tem como resultado, a escrita. As formas dos alimentos são utilizadas para a visualização do movimento da letra. Exemplo: se cortamos a maçã ao meio, nos mostra um formato parecido com a letra “m”. A criança, a partir da percepção visual, após traçarmos uma vez o movimento para sua observação, ela reproduz de maneira autônoma a construção do traçado da letra.


11º A literacia familiar e a numeracia são indissociáveis na fase da alfabetização e estão diariamente ligadas tanto na escola, quanto na família. Ao mesmo tempo que mostramos a palavra bolo para a criança, quase automaticamente perguntamos quais e quantas são as letras, ou sílabas, não é mesmo? A alimentação é um grande potencializador nesse processo, pois a família pode brincar na hora da “sopa de letrinhas”, procurando a letra escolhida ou quantas letras têm, por exemplo. Também pode criar histórias utilizando os alimentos, estimulando, assim, a criatividade, o vínculo familiar, a interação, dentre outras possibilidades para a alfabetização.


12º Conscientiza sobre a sustentabilidade. Afinal, utilizamos os alimentos para a alfabetização multissensorial e o que “sobra” não vai para o lixo, mas sim, transforma em adubo orgânico, por meio de compostagem. Sem citar as diversas oportunidades de alcançar segurança alimentar e agricultura sustentável.


13º Por último, não por ser menos relevante, pois é fundamental no método Alfalimentar: incutir os preceitos de educação financeira, que vai muito além da relação com o dinheiro. Ensinar sobre esse tema desde a mais tenra idade, é permitir que as crianças desenvolvam um pensamento crítico sobre como utilizá-lo, mas igualmente conscientizar sobre o “mau uso” e suas consequências.



De maneira divertida e prazerosa, pode auxiliar na prática, por exemplo, ao fazer compras no supermercado. Qual custa mais? Qual custa menos? A melancia ou o mamão? Quanto temos? Qual podemos levar hoje? São inúmeras possibilidades de conscientização.



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